A nossa cidade de Siderópolis, originalmente chamada de Nova Beluno com a chegada dos imigrantes italianos — dos quais sou descendente — teve sua primeira igreja construída por esses pioneiros no início do século XX.
enbsp;Naquele período, Nova Beluno ainda fazia parte do município de Urussanga
A igreja foi dedicada a São João Batista e estava vinculada à paróquia de Urussanga, que na época integrava a Arquidiocese de Curitiba. A partir de 1908, passou a pertencer à diocese de Florianópolis, então sob a liderança de Dom João Becker e a partir de 1914 foi substituído por Dom Joaquim Domingues de Oliveira.
Foto da igreja velha no início do século XX.
Minha família morava em frente à igreja antiga, mais especificamente diante da antiga casa paroquial, onde meu pai e seu irmão mantinham uma loja. Por conta disso, pude acompanhar de perto, durante minha infância e adolescência, a transição da igreja velha para a nova matriz
Além disso, fui batizado, fiz a Primeira Eucaristia e recebi a Crisma na igreja antiga. Também fui coroinha por oito anos, tanto na igreja velha quanto na nova, período em que os párocos eram o Pe. Tarcísio Lovo, o Pe. João Cruciani e o Pe. Joaquim Martins. Mais tarde, casei-me na igreja nova
Com esse preâmbulo, procuro registrar minhas lembranças da transição da igreja antiga para a nova, incluindo algumas informações e fotos. Antes disso, porém, farei um relato dos acontecimentos que marcaram a trajetória religiosa da cidade, baseando-me tanto em registros escritos quanto em relatos transmitidos por nossos antepassados
Nos primeiros tempos, como Nova Beluno fazia parte da paróquia de Urussanga, a comunidade era atendida pelos padres que ali residiam. O sacerdote que mais tempo dedicou seu trabalho à população de Nova Beluno foi o Pe. Luigi Gilli, que atuou entre 1904 e 1947. Durante esse longo período, ele batizou, ministrou a Primeira Eucaristia, celebrou casamentos da maioria de nossos nonos, nonas, pais e tios, além de presidir as missas regularmente. Meus pais o conheceram bem
Em 1947, já com o nome de Siderópolis, mas ainda pertencendo politicamente ao município de Urussanga, foi criada a paróquia local, agora dedicada a Nossa Senhora Aparecida.
enbsp;O Pe. Agenor Neves Marques foi designado como seu primeiro pároco, permanecendo até 1948, quando assumiu a paróquia de Urussanga. Em seu lugar, tornou-se pároco de Siderópolis o Pe. Antônio Condlick, o segundo a assumir a função.
Em 1955, foi criada a Diocese de Tubarão, tendo Dom Anselmo Pietrulla como seu primeiro bispo, e as paróquias do sul catarinense passaram a integrá-la.
Pe. Agenor Neves Marques foi o primeiro pároco de Siderópolis, em 1947.
Pe. Antônio Condlick ficou como pároco de 1948 até 1955.
Dom Anselmo Pietrulla decidiu confiar a paróquia de Siderópolis aos padres da Pequena Obra da Divina Providência, fundada por Dom Luiz Orione, a partir de 1956.
Assim, o primeiro pároco orionita foi o Pe. Pedro Pellanda, que, além de exercer o ministério paroquial, dedicou-se intensamente à construção do Seminário São Pio X.
Em março de 1962, ele foi substituído pelo Pe. Tarcísio Lovo, o qual deu início ao projeto e às obras da nova igreja.
Tanto Pe Pedro como Pe Tarcísio contaram com o apoio dos padres Nello Bononi, Mário Scalco e Gustavo nas atividades pastorais e religiosas.
. enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; Vale lembrar que, anteriormente, havia sido estudada a possibilidade de ampliar a igreja antiga. Tanto que, nos fundos do antigo templo, já existia uma base de pedras — o alicerce — onde eu mesmo brinquei muitas vezes
enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; No entanto, essa ideia acabou sendo descartada, optando-se pela construção de uma nova igreja.
enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; O Pe. Tarcísio também buscou apoio da prefeitura para viabilizar tanto a obra quanto a criação de uma praça em frente ao novo templo.
enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; O projeto da nova igreja foi inspirado em uma igreja que o Pe. Tarcísio conhecia em Curitiba.
No início da construção, nós, coroinhas, éramos convocados pelo Pe. Tarcísio para ajudar no transporte dos tijolos. Lembro das viagens na carroceria do caminhão até a olaria Patel, cujo responsável na época era Arcangelo Patel. Lá, ajudávamos a carregar os tijolos no caminhão e, em seguida, a descarregá-los próximo à obra.
Para nos incentivar nessa tarefa, o Pe. Tarcísio prometia nos levar de Jeep até Treviso para jogarmos uma partida de futebol contra os coroinhas de lá.
Lembro-me também dos enormes buracos da fundação da igreja, com profundidade de dois a três metros.
enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; O Pe. João Cruciani substituiu o Pe. Tarcísio e deu continuidade à construção da nova igreja, além de erguer a nova casa paroquial, localizada entre as residências das famílias João Cesa e Cifuentes — hoje transformada em rua.
enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp; Por fim, o Pe. Joaquim Martins sucedeu o Pe. João Cruciani e foi quem praticamente concluiu a obra.
Pe. Pedro Pellandaenbsp;
Pe. Tarcísio Lovoenbsp;
Pe. João Crucianienbsp;
Pe. Joaquim Martinsenbsp;
Abaixo, vemos a foto da igreja antiga, com a casa paroquial ao lado. No canto inferior direito, aparece o obelisco construído em 1941 para comemorar os 50 anos da colonização italiana, obra do Sr. Mario Moretti.”
Um fato que nunca esqueci foi a chegada do Pe. Tarcísio a Siderópolis, trazendo da Itália um pequeno gravador. Lembro até da cor, um bege parecido com café com leite. Ele permitia que a gurizada usasse o aparelho no pequeno salão de jogos anexo à casa paroquial. Foi lá que ouvi minha própria voz narrando um gol em uma partida de futebol.
Outra vista da igreja velha tendo no lado esquerdo o Sider bar.
Foto onde aparece o coreto utilizado nas festas da igreja, aparecem Jorge Biff, Vitor Cesa e Olavo Rovaris.
A foto foi tirada em frente ao Cine Beluno durante o processo de demolição, e, ao fundo, já aparece a nova igreja em construção. Como muitos conterrâneos, pude acompanhar a demolição da igreja da frente de nossa casa. Lembro-me quando passaram cabos de aço na torre e, com a ajuda de um trator, começaram a derrubá-la. Muitos dos moradores mais antigos ficaram com os olhos marejados.
Foto do fundo da igreja onde pode-se observar a fundação de pedras atrás da igreja.
Foto registrada durante a construção da nova igreja, na qual é possível ver o alto-falante utilizado nas comunicações. Lembro que, como locutores, tivemos Mario Barg e Moacir Comim. Próximo à torre do alto-falante, havia por bastante tempo uma quadra de vôlei.
Foto durante a construção da nova igreja
Foto durante a construção da nova igreja
Foto durante a construção da nova igreja
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enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;enbsp;Após a demolição da antiga igreja, as celebrações passaram a ocorrer na nova igreja, mesmo enquanto ainda estava em construção.
No início, o altar foi colocado quase no centro do templo, com os bancos dispostos ao seu redor, e a sacristia funcionava no espaço onde hoje está a capela do Santíssimo Sacramento.
Quando o altar foi transferido para sua posição definitiva, a sacristia passou a ocupar uma área atrás dele e, depois de algum tempo, foi novamente realocada para o local onde permanece atualmente.
Como coroinha, pude acompanhar todas essas fases de perto.
Uma lembrança marcante desta época da construção da igreja foi o Sr, Zezinho, que atuava como mestre de obras.
Fotos igreja 2025
Preservar essas lembranças é uma forma de manter viva a história da nossa cidade, celebrando cada pequena conquista que moldou a vida de quem aqui vive e viveu.
enbsp;Elas também revelam a dedicação e o esforço de nossos antepassados, que construíram a cidade, e nos inspiram a cuidar e proteger nossa história para as futuras gerações.
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